Thun & Interlaken

Todas as vezes em que que subimos pras montanhas, ao passar pelo lago Thun eu ficava abismada. É um lago imenso, azulzinho, cheio de barquinhos, e eu imaginava o verão lindo que devia rolar por ali. Ano passado passeamos pela cidade, mas já estava frio e nem chegamos a ir para a beira do lago. Então em nossa primeira semana explorando a Suíça resolvemos tirar uma manhã para ir nadar por lá. 

Um dia em Biel e Arredores


Dando a largada pro nosso mês explorando a Suíça resolvemos não ir muito longe. Mais precisamente, começamos nossa jornada em Biel (ou Bienne), uma cidade aqui no Cantão de Berna, a 25 minutos de trem. A cidade fica na fronteira da suíça alemã com a suíça francesa, e por isso é a cidade com a população mais dividida do país. Tão dividida que até o nome oficial da cidade é Biel/Bienne. Biel é alemão, Bienne é francês. A população se divide entre as duas línguas, e não há uma só placa naquela cidade que não esteja em francês e alemão. Já que esse blog aqui anda focado no alemão, fiquemos com Biel hahaha. 

Já há um tempo estávamos com curiosidade para conhecer a cidade, mas ninguém falou coisa boa de lá. O grande trunfo de Biel é ser a sede de grandes empresas de relógios, como Swatch, Omega, Tissot, entre outras. Mas nos disseram que isso não se traduzia em atrativos turísticos. Como há um lago, e nesses dias quentinhos estamos priorizando água, demos uma busca em coisas pra fazer na área e na segunda pegamos o trem. A real é que saindo da estação a cidade não tem nada demais mesmo, e é bem feinha. Mas andando uns 10 minutos chega-se na cidade velha ae  coisa fica um pouco mais interessante. Tem uma pracinha medieval, com suas igrejas, sinos, prédios coloridos fofinhos, bares, janelinhas e escadinhas. Eu adoro. Tiramos algumas fotos, sentamos pra olhar a vida passar, mas depois de uma hora tínhamos esgotado a cidade velha. Um ps - Jean Jacques Rousseau, nascido em Genebra, passou um período na área, quando era foragido por perseguição religiosa. Em Biel, por acaso demos de cara com a casa onde ele se refugiou. Não é possível fazer visita, mas tem uma placa na parede. Ele ficou lá por pouco tempo e depois foi parar numa ilha, da qual vou falar um pouco ali embaixo.
 

Explorando a Suíça em um mês

Em julho fazemos um ano de Suíça. Nesse 11 meses e 10 dias até que passeamos bem, ainda mais se considerar nossas limitações de tempo e dinheiro. Estivemos em 12 dos 26 cantões que compõem o país, e já passeamos pelas principais cidades: Zurich, Basel, Lausanne, Lucerna e Genebra. Também nos aventuramos por algumas montanhas e lagos, mas esse país é enorme e tem muito a oferecer, e o que vimos é muito pouco. 

Pois bem. Dado esse panorama, e as férias de 6 semanas de Mati que começaram segunda-feira, resolvemos comemorar nosso um ano de Suíça explorando-a ao máximo. Fizemos um GA (General Abonnement), que é um passe que dá direito a toda rede de transporte público nacional: ônibus, trens, trams, barcos, ferries, etc - e com ele pretendemos tirar vantagem do território reduzido da Suíça e também da posição centralizada de Berna. Faremos muitas day trips (alias, já começamos hoje), pretendemos fazer alguns hikings, nadar em todos os lagos em que for possível, e curtir muito esse verão e esse país. O GA pode ser feito anual ou mensalmente - e por ora, claro, fizemos somente para o mês de julho.

Alias, quem um dia quiser passear pela Suíça sem lenço e sem documento, saiba que não precisa de um mês não. Em 4, 5 ou 7 dias é possível fazer muita coisa por aqui, ver paisagens diferentes, contrastantes, ouvir línguas e dialetos, comer variadas cozinhas e se encantar. E pra isso, no mesmo esquema que o GA, existe o Swiss Pass - da acesso a tudo, mas você pode fazer por períodos menores (3, 4, 8 e 15 dias), conforme sua conveniência. Vale a pena dar uma fuçada e ver o que vale a pena - ainda mais porque o transporte público na Suíça, o que tem de eficiente, tem de caro. Então, se a ideia é montar base num lugar e fazer day trips, o Swiss Pass vale super a pena. 

Enfim, acho que esse mês vai dar muito material aqui pro blog - tanto pelo potencial turístico da nossa empreitada, como por estarmos aprofundando nosso conhecimento no país em que escolhemos viver. Em breve, muita Suíça por aqui!

Wine Trips - Alsace

Em fevereiro fiz uma viagem para o Piemonte com o grande objetivo de nadar em vinho, rs. A experiência foi tão maravilhosa que resolvemos repetir a dose, mas dessa vez para Alsace. Afinal o verão estava chegando, e vinho branco é o que há. Então vou contar um pouco da experiência mais recente - fomos no primeiro fim de semana de junho - e mais pra frente conto como foi no Piemonte. 

* * *
Pelas ruas de Eguisheim 
Alsace (ou Alsácia como conhecemos no Brasil) é uma região francesa que fica bem na divisa com a Suíça e a Alemanha. Foi motivo de muita briga entre França e Alemanha, e nos últimos séculos passou do domínio de uma para outra algumas vezes. Por conta desse histórico, hoje é uma região francesa altamente influenciada pela cultura alemã, principalmente na arquitetura e culinária. O que há de mais marcante na região? O vinho branco, os famosos Vin d'Alsace. E foi pra isso que a gente foi pra lá :)

Meu primeiro verão europeu

Poderia dizer que estou cheia de coisa pra fazer, por isso que as coisas andam meio paradas por aqui. Mas não é verdade. Eu agora só vou na escola três vezes por semana logo de manhã, e depois não tenho nenhum outro afazer além do meu compromisso com o verão, haha. Esse nasceu comigo. Então pensem que nas últimas semanas o termômetro anda passando dos 30 graus, o calor ta pegando, e Berna já virou Bern de Janeiro, como costumo dizer por aí. O povo anda de biquini pra cima e pra baixo pela cidade, se joga nas piscinas públicas, e principalmente, se joga no Aare. E eu to fazendo igual. Passo os dias indo na piscina de manhã, me jogando no rio à tarde. Entre uma coisa e outra durmo na grama, as vezes vou numas caminhadas com a terceira idade em que me enfiei pra treinar meu alemão, enfim... Dizem que tenho que aproveitar mesmo que normalmente verão aqui não é assim e é isso que estou fazendo. Enquanto isso deixo umas fotos do que ando vendo, e uma playlist com uma miscelânea do que eu ando ouvindo enquanto pedalo e me estiro por essa Berna inteira. 








Real Love Baby - Father John Misty * Want you Back - Haim * Flashed Junk Mind - Milky Chance * Bad Liar - Selena Gomez  * If I could Change your Mind - Haim * Magnets - Disclosure Ft. Lorde * Loud Places - Jamie xx ft. Romy  *  Gosh - Jamie xx * Garden - Totally Enormous Extinct Dinossaurs * Dangerous - The xx  * You Got the Love - The xx covering Florence and the Machine * Mi Mujer - Nicolas Jaar *

Eu e o avião, um relacionamento em crise

Eu nunca tive medo de voar, sempre me senti bem no ar, porém andei me irritando muito com a logística toda que envolve viajar de avião. Deixa me explica: Berna não tem um aeroporto muito funcional. O daqui é pequeno, somente quatro portões, com poucos - e caros - voos. Por conta disso, o mais normal pra quem é daqui é usar os aeroportos de Zurique ou Basel, ou ainda Genebra. 

Agora façam a matemática comigo: para chegar em Basel ou Zurique, preciso de uma hora de trem (Genebra quase 2). Além disso, é sempre recomendável chegar com pelo menos uma hora de antecedência - as vezes um pouquinho mais porque as filas de segurança em tudo que é aeroporto andam grandes. Daqui, dentro da Europa, posso voar em menos de duas horas pra quase tudo que é lugar. E depois chego num aeroporto, que normalmente é longe da cidade e devo pegar um transporte para o centro. Normalmente, essa jornada toda toma pelo menos cinco ou seis horas. Com esse tempo posso ir para várias capitais europeias de trem, sem tanto desgaste. Milão é três horas, Paris é quatro, Amsterdam se pegar uma conexão boa, 7 horas (parece muito, mas isso foi o que eu gastei de avião na última ida, pingando entre vários meios de transporte. Seria mais fácil ficar sentadinha numa poltrona confortável, não?). 

Para além das irritações logísticas, vou contar aqui uns casos que se passaram comigo nos últimos meses, que ajudaram a aumentar minha irritaçãozinha, rs. 
A vista as vezes compensa na amolação, né? 

Cidadania Italiana - A saga continua

Há mais de um ano falei sobre meu processo de cidadania aqui. Por mais que eu tivesse querendo dar gás nas coisas, foi um momento complicado da vida: eu estava casando, recebendo os sogros, organizando mudança de país, trabalhando feito louca, entre outras tantas demandas mentais, e o negócio mais uma vez ficou parado. 

Pois bem, depois de muita enrolação, em julho eu contratei uma advogada para fazer o processo de retificação de acento - nome oficial do processo judicial para corrigir registros oficiais. Nós teríamos que arrumar basicamente 13 registros em cartórios. Entre organizar procurações, obter as certidões necessárias, esclarecer dúvidas, montar árvore genealógica - e mais uma vez, atrasos da minha parte - em outubro conseguimos dar entrada no processo. A minha advogada foi uma excelente escolha - nos orientou corretamente sobre tudo, super cuidadosa na análise dos documentos, entrou com a ação redondinha, e em dezembro obtivemos sentença favorável. Ou seja, surpreendentemente rápido. 

A grande merda é que a publicação da minha sentença foi em 20 de dezembro, ou seja, na véspera do recesso de fim de ano, quando o fórum, a contagem dos prazos e tudo mais para. Resumindo, até o fórum voltar, o MP se manifestar, etc etc, eu só consegui os ofícios em março. E aí adivinha? Vieram vários errados, rs... Aí entre pedir a correção (duas vezes) e solicitar aos cartórios, enfim, terminamos maio com todos os documentos devidamente retificados. 

Mas como aqui é novela mexicana italiana, agora o problema é outro. Eu estava em negociação com um assessor, o qual foi muito bem recomendado por várias pessoas de diferentes círculos de convívio, para me assessorar lá na Itália. Uma ex roomate da minha irmã, uma amiga de amiga, uma amiga de outra amiga, ou seja, várias pessoas que fizeram com esse cara e foram bem atendidas e tudo deu certo. Porém, aparentemente, além de fazer o processo de quem tinha direito, ele também fazia outras coisas não exatamente lícitas. E algumas semanas atrás a casa caiu. Aí eu fiquei meio apavorada. Porque Deus me livre de ter meu nome, minha cidadania, atrelada a coisas ilegais. Eu, que estou aqui há anos trabalhando pra fazer tudo direitinho...

Enfim, agora estou aqui com a pulga atrás da orelha, sem saber em quem confiar. Encontrei mais assessores altamente indicados, porém todo mundo de agenda cheia, com possibilidade de atendimento somente para meados de 2018. Pior: como desdobramento da ação policial desencadeada, alguns communes estão alterando procedimentos, e tenho um pouco de receio de ir pra lá e ver as regras do jogo mudando no meio do caminho. Então, no momento, estou pesquisando possibilidades, inclusive a de fazer o processo aqui na Suíça. Em breve, updates. 

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