O exorcismo de Becky Bloom

Not anymore
Em julho do ano passado assumi um compromisso comigo mesma de comprar menos. Estabeleci uma lista de coisas que poderia comprar entre o dia 1º de julho de 2015 e 1º de julho de 2016, e dei start numa jornada de auto controle e valorização do meu dinheiro, dos meus recursos e também de organização do meu espaço. 

Antes de entrar na reflexão mais profunda do que aprendi nesse ano, devo contar que traí o movimento, rs. Mas foi só um pouquinho. Vejamos a lista dos autorizados:

- um sapato plataforma - foi o primeiro item da lista que comprei, usei pra caramba, usei tanto que nem vai na mudança porque já associo ele ao trabalho, e preferi dar pra uma amiga querida.
- roupa de ano novo - comprei, e pasmem: não usei no ano novo, rs. Caí no conto de Mateus que na Califórnia não fazia frio em dezembro, comprei uma calça de linho e uma camisetinha de manga comprida. Simplesmente peguei o inverno mais frio em LA nos últimos 10 anos. Passei ano novo de roupa velha mesmo, mas to vestindo a minha linda calça nesse momento enquanto escrevo o post. 
- casaco de inverno - foi um item que acabei trocando. Decidi não comprar o casaco, e comprei camadas, que estavam faltando no armário. Comprei 3 blusas de tricô na promoção, não custaram o preço do casaco, e me serão muito úteis na Suíça. Então foi mais uma troca que um descumprimento. 
- um presente de aniversário - quando coloquei esse item, minha ideia era comprar uma bolsa específica. Só que o dólar explodiu e não foi possível, porque ela nem era cara, mas vezes 4 ficou. Comprei um sapato  - porque a brecha estava aberta, rs - mas não da pra dizer que foi um belo presente de 30 anos. 

Os descumprimentos de verdade: (i) na época do Natal entrei numa C&A tentadora, e comprei um vestido e um maiô; (ii) casei né gente, fiz vestido, comprei sapato e lingerie. Mas a causa era boa e; (iii) recebi um alerta de um site que várias coisas que eu namorava há meses tinham entrado numa super promoção e aacbei comprando uma camiseta, um vestido e um biquini.  

EEEE Gabriela, comprou um monte fora do projeto, né? É! Só que só eu sei o tanto de loja em que entrei, rodei, enchi o braço de cabides, e devolvi tudo. O tanto de vezes que abri os sites da Farm, da Salinas, enchi a sacola virtual e fechei a janela, rs. Da minha mala que voltou dos EUA cheia de presente pros outros. Das tantas parcerias de designer e fast fashions que me fizeram salivar. Do ano de terapia que paguei com dinheiro que antes era destinado ao guarda-roupa. 

Pois é, gente... eu juro que não era maníaca, mas toda vez que o sapato começava a ficar gasto, comprava um novo. Ou quando uma das 5 camisetas brancas que tinha começava a ficar gasta, comprava mais uma. Ou via uma blusinha que ia ficar LINDA com aquela sainha que tem em casa. E assim todo mês tinha uma parcelinha da Zara, da Farm, da Forevis no cartão.

E mais do que a questão financeira: de como aprendi a lidar com moda e consumo de uma forma diferente. Absolutamente tudo que tive vontade de comprar e não comprei, não foi pensando no projeto em si, tipo "não posso quebrar o compromisso". Mas foi por causa do projeto que me questionei 5 vezes antes de passar o cartão: eu preciso disso mesmo? Quantas vezes vou usar? Combina com o que tem lá em casa? Como eu uso isso no frio? E no calor? Não dá pra substituir isso por aquilo que já tenho? Vou dizer que quase sempre tive as respostas que me levaram a não comprar nada. 

Além disso, eu fui ficando cansada das minhas coisas mas ao invés de arrumar coisa nova, encontrei novas formas de usar as roupas velhas. Em algum momento desses 12 meses falei um pouco disso aqui no blog. Usei mais acessórios, aprendi a usar as coisas de jeitos diferentes. Até calça "de trabalho", que nunca usei num final de semana, aprendi uns truquezinhos pra ficar com cara relax e poder variar. Isso tudo, ainda por cima, facilitou meu processo de separar o que levar na mudança. Coisa que eu não usei nesse ano, pode escrever aí que não uso mais, né. Foi pra venda/doação.

Aprendi também a comprar melhor. Tudo que comprei nesse ano foram compras inteligentes: coisas de qualidade, com material mais durável (que teriam me custado mais caro mas não custaram porque comprei absolutamente tudo em promoção), mas que conversam com todo o meu armário, que me vestem bem em diversas ocasiões distintas.

Enfim, eu achei super válido o exercício. Acho que a prática, aliada ao amadurecimento trazido pela idade e tal, me fizeram repensar várias coisas: estilo pessoal, valor das coisas, consumo, sustentabilidade. Estou super feliz com minhas descobertas que esse ano com menos compras me trouxe, e não nego, com a economia que fiz. Roupa no Brasil está ridiculamente caro. Sapatos e bolsas idem. As pessoas perderam a noção. Então, acabei deixando de gastar muito dinheiro. 

Se alguém estiver pensando em se jogar nessa auto descoberta, sugiro que vá com força. É uma jornada interessante, e invariavelmente você vai sair ganhando. 

2 comentários:

  1. Gabi, parabéns pelo seu projeto. Sei o quanto é difícil se controlar nas compras - eu também já me peguei diversas vezes colocando coisa em carrinho virtual e deixando pra lá depois. Uma das minhas metas quando tiver um trabalho fulltime aqui é estabelecer um orçamento mensal de coisas que eu posso comprar, sabe? E quero comprar coisas de mais qualidade - de que adianta pagar baratinho numa roupa que vai encolher na primeira lavagem? Não faz sentido! Tenho lido mais as etiquetas pra ver como lava a roupa corretamente e tudo mais. Vamos que vamos!

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    1. Eu acho esse esquema de separar um budget por mês ótimo, porque aí se você quer comprar algo mais caro, guarda de um mês por outro, etc. Enfim, é mais difícil perder o controle.

      Sobre qualidade, faz muita diferença. Eu fico falando que gastava muito com Zara e Forever, e olha.. tem um monte de roupa que na segunda lavagem já juntou um monte de bolinha, ou ainda esgarçava. Pior isso daí que você falou: essa semana fui fazer a lavanderia pós noronha, e to usando uma máquina diferente da minha. Resultado: um vestido da forever virou uma camiseta, rs. Não dá, né.. Melhor gastar nosso suado dinheirinho com coisas que irão durar mais e de quebra sem trabalho escravo envolvido.

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