A tal da integração

Outro dia por algum motivo esse artigo apareceu no meu feed do facebook: Expats in Switzerland like the safety but not the locals. Primeiramente vale dizer que o título é meio sensacionalista. Na pesquisa não é que o povo disse que não gosta dos locais, mas há uma alta avaliação de que, no geral, os suíços são reservados, distantes, tradicionais. Enfim, vale a leitura. E aí que a caixa de comentários era um suco de chorume: a suiçada, que claramente bodeou de ler o texto, xingando muito, rebatendo, e quase em unanimidade, repetindo que se você não for escroto, quiser se integrar e aprender a língua, os suíços são muito amigáveis sim. Diante do meu ano de experiência por aqui, acho que tenho algumas considerações sobre o assunto. 
Alguém falou tradição?
Comecemos pela língua. Se você engrenar num papo com qualquer suíço, essa questão de aprender a língua aparece em menos de 5 minutos: você está aprendendo alemão? Pra eles isso é super - SUPER - sério e importante. E eu entendo. Tanto entendo, que foi das primeiras coisas que fiz quando cheguei aqui, me matricular numa escola. Quero ter condições de me comunicar, de conversar, de ler jornal,  instruções, de socializar no lugar onde vim morar. Mas assim, rola toda uma pressão, e acho que falta compreensão. Por exemplo: amigos nossos chegaram aqui junto com a gente, casal com dois filhos, ambos começando emprego novo, cheio de desafios. Aprender alemão não era uma prioridade nos primeiros meses, quando a prioridade era se ajustar, montar um lar, botar as crianças na rotina, se acostumar com o emprego novo. Tiveram problemas com vizinhos, e na hora da lavação de roupa suja, surgiu a pergunta: por que vocês não gostam da gente, por que nunca nos deram a chance? E os vizinhos responderam o que? Isso mesmo. Porque vocês não estão aprendendo alemão. É ou não é um pouco radical?

Além disso, acho que já comentei por aqui, o dialeto local é BEM diferente do alemão tradicional, que se aprende na escola. Eu terminei o nível B1, já me comunico bem em hochdeutsch (o alto alemão) e entendo nada de suíço alemão. Assim, NADA. E pior: muitas vezes, quando começo a falar alto alemão, os suíços preferem falar inglês comigo do que mudar pra alto alemão (que todos falam, pois é o ensinado nas escolas suíças). Contraditório, não? Devo dizer que conforme meu nível está melhorando, isso vem diminuindo. Mas não é um balde de água fria quando você está começando a aprender uma língua, quer praticar, e os locais preferem falar inglês com você? Por quase um ano aqui, foi assim comigo basicamente todos os dias.  

Aí vem a tal da integração. Falar a língua faz parte da integração, mas não é tudo, né... Lembro quando lia blogs de brasileiras emigradas para a Alemanha, vi muitas coisas sobre uns cursos de integração. Uma amiga que mudou para a Holanda também passou por isso. Aula sobre história, costumes, tradições dos países. Mais ou menos um "como somos e porque somos". Quando fui informada de que aqui seria obrigatório passar por uma integração (com a ISA, departamento de integração do governo) fiquei super animada, porque achei que seria algo do tipo. Já comentei sobre a integração aqui e como não foi nada disso. Como foi uma entrevista futricando a minha intimidade, meu casamento, nossa situação financeira, meu nível cultural e educacional, e como mais parecia uma triagem sobre "bons e maus imigrantes". A única coisa em que bateram o pé é que deveríamos estudar alemão. Só isso. Não mencionaram nada sobre programas culturais ou outras coisas que efetivamente poderiam promover nossa integração, nosso contato com a cultura e o povo suíço. Achei uó. 

Alguns meses atrás a escola em que eu estava estudando alemão nos convidou para uma caminhada e picnic. Eu me inscrevi e no dia fiquei surpresa ao chegar no ponto de encontro e descobrir que a caminhada não era organizada pela própria escola, mas sim por quem? Pois é, pela ISA. Agora me digam, senhoras e senhores, por que diabos a fulana que fez a nossa "integração", se tão interessada estava em que a gente se inserisse na cultura local, não nos informou que o órgão promove eventos? Eu participei, ao longo do verão, de três caminhadas organizadas pela ISA. Ontem recebi um email de uma funcionária de lá, que organiza a caminhada, convidando para uma exposição em Zurich mês que vem. Durante esses passeios, nós falamos alemão, os locais que participam nos corrigem, explicam coisas, é super legal. E não me entra na cabeça que eu tenha tido duas reuniões com o escritório de integração, que Mati tenha tido QUATRO (sendo duas delas com um tom elevado de reprovação e ameaça por ele não estar matriculado numa escola de idiomas), e que nunca tenham mencionado essas atividades. Que tenham batido única e exclusivamente na tecla de que temos que frequentar curso de alemão, e que fiquem repetindo over and over perguntas sobre nossa situação econômica. E não foi só a pessoa que nos atendeu que falhou. Conversei com outras quatro pessoas que passaram por esse processo, nenhuma com a mesma oficial que a gente. Nenhuma ouviu falar dessas atividades.

Além disso, como apontado na pesquisa que mencionei no começo do post, os suíços são bem reservados. Eu frequento as aulas de ballet há mais de um ano. Agora que as outras meninas estão começando a se interessar por mim, a fazer perguntas e ser mais amigáveis. Nesse meio tempo, já aconteceu algumas vezes (que eu me lembre bem, três) de eu encontrar algumas delas pela rua, e sequer ser cumprimentada. E gente, eu, qualquer ser humano, ainda mais em situação imigratória, precisamos de amigos, de calor humano, de contato. E aí, quem é que me dá isso? A comunidade internacional, claro. Minhas amigas aqui vem dos EUA, Italia, Canadá, Holanda, Malásia, Colombia, etc. E isso faz com que mais e mais a gente fale outras línguas que não o alemão, que fiquemos "presos" na tal da bolha. Eu sei que em quase lugar nenhum do mundo o povo é arreganhado como nós brasileiros, rs. Mas porra, um ano, se vendo duas vezes por semana, pro povo vir me perguntar o que estou fazendo aqui, pra começar a sorrir pra mim e me cumprimentar? É difícil, né... 

Ou seja, queridos comentaristas suíços de facebook, melhorem. Antes de dar ataque de pelanca na internet, tenham paciência ao encontrar estrangeiros tentando falar alemão, e ao invés de disparar a falar inglês, tentem entender, tentem se lembrar das palavras de vocês, de que "vocês serão amigáveis com aqueles que querem aprender o idioma". Tentem entender também, que mesmo quando a gente tenta muito se integrar, a gente esbarra em várias barreiras. A língua é uma delas. Mas a ineficácia do governo em efetivamente tentar integrar essas pessoas é outra. E a falta de abertura do povo é outra. 

Eu não queria que esse post tivesse um tom raivoso, mas acabou adquirindo, rs. A real é que a inflexibilidade com essa tal de integração é algo que me deixa bem frustrada aqui, simplesmente porque eu, com todo tempo e vontade do mundo, encontro várias dificuldades. Imagina quem tem um trabalho fulltime pra se ocupar? Aí você fica ouvindo tanto sobre se integrar, e fica parecendo que tudo só depende de você, você aí imigrante, é só querer. E não é bem assim. Me considero pouco integrada. Estou começando a falar a língua, conheço pouquíssimos suíços, e as tradições e particularidades culturais do país que conheço, foi por conta das nossas possibilidades financeiras, que nos permitem viajar e frequentar bastante coisa por aqui. Infelizmente, nem todo mundo tem essa oportunidade, mas praticamente todo mundo tem essa pressão sobre os ombros. Algo a se pensar. 

As dores do regresso

Quando voltei do Brasil comentei aqui que teria várias reflexões a fazer, e no fim, fiz foi nada. A real é que mal processei as coisas, e chegou verão, chegaram viagens, visitas, e ficou tudo meio de escanteio dentro da minha cabeça. Mas aí semana passada recebi uma amiga aqui, e papeamos sobre tantos assuntos, que acho que acabei por tabela organizando vários pensamentos. 

Primeiro que me senti um peixe fora d'água em várias conversas lá no Brasil. A vida passou em um ano, e tirando um grupo com quem falo todo dia, acaba rolando um afastamento. As pessoas perguntam, "e aí, como ta a vida lá?" e tipo... aconteceu tanta coisa mas ao mesmo tempo não aconteceu nada, aí fica naquele, "ta bem, tudo indo, silêncio maldito". Porque realmente, eu não tenho aquela GRANDE novidade. Não to grávida, não arrumei um emprego, e as minhas novidades são ~pequenas insignifcâncias~ do dia a dia, como conseguir entender alemão num papo de elevador, ir num bar diferente, comer um doce bom, conhecer alguém de cultura diferente na escola, cair de bicicleta, fazer alguma merda culturalmente não aceita e tomar xingo de alguma velhinha. E essas coisinhas, se você não compartilha na hora, perdem grande parte do impacto, né? E foi assim que eu simplesmente, depois de quase um ano fora, não tinha nada pra contar, e me senti meio sem assunto com várias pessoas. 

Além disso, percebi que não supri a expectativa da galera, rs. Acho que já falei isso por aqui, mas realmente, o povo acha que você mudou pra Suíça e agora vive montada numa nuvem, tocando harpa enquanto toma lambida do seu unicórnio e se alimenta de algodão doce no shape de arco íris. As pessoas realmente acham que a vida na Europa é linda e sem defeito. Mas não colocam nada em perspectiva. Quando eu comento que faço minha própria faxina, que se der qualquer merda, pegar taxi não é uma opção, todo mundo acha que eu estou exagerando. Acho que no fim, esperavam que eu chegasse lá no Brasil falando "é isso mesmo que vocês acham, a vida lá é perfeita, não temos problemas, acordamos e dormirmos gargalhando todos os dias, e quem não se mandou daqui ainda é imbecil". Aí quando eu falava: sim, a vida é boa sim, mas não é esse mar de rosas aí que vocês acham, a reação imediata era já falar em tom quase agressivo: quer voltar então? É quase um reflexo dos tempos difíceis que vivemos, o diálogo é truncado. Lembro de ter falado pra uma amiga que já tinha soltado uma coisa do tipo pra mim e depois estava reclamando das agruras da maternidade, que era a mesma coisa. Que a maternidade tem as coisas boas, as coisas ruins, e ela reclamar não significa que preferia não ter tido o filho, né?

Mas por essas e outras, mais uma vez, me sentia desconectada. Quando eu dizia que nosso padrão de vida diminuiu, o povo falava que não parecia, que eu viajo pra caramba. Eu até rebatia "mas você foi pro Guarujá, você foi pra Campos do Jordão, foi pra Maresias, foi pra Inhotim, foi pro Rio, viajou também, e mantém a sua rotina de gastos". "Ahhh, mas é diferente, são viagens pequenas". É nada cara pálida. A distância entre Berna e Paris é menor que entre a casa dos meus pais e a dos meus avós, ambas dentro do Estado de São Paulo. A diferença é que aqui pra fazer essas viagens eu tenho que abrir mão de confortos, pedalar morro acima pra economizar um dinheirinho, fazer as contas que depois de 20 dias sem pegar busão eu consigo comprar uma passagem pra algum lugar. E no Brasil, a gente simplesmente não da valor pra essas pequenas viagens porque elas estão dentro do país que a gente ama desprezar. E eu era assim também, não nego. Mas agora ainda por cima o povo culpa a Dilma, o Temer, e o capiroto se precisar, mas não reconhece que eu abro mão de muitas coisas por aqui pra ter esses pequenos luxos. Coisas essas que nunca precisei pensar em renunciar em São Paulo. E veja bem, não to aqui querendo parecer coitada, mas somente mostrar que o pessoal acha que a gente vive aqui a mesma vida que a gente vivia lá, só que num tom mais rosa, e como isso vai tornando a conversa mais difícil. No final, estávamos sempre falando do passado, relembrando histórias de anos atrás, enfim, quando todos falávamos a mesma língua. Deixamos essa coisa de presente, tão complicada, pra lá. 

Fora essas questões existenciais, claro que fiquei meio chocada com o trânsito de São Paulo, o preço das coisas, a pressa das pessoas rs. Mas também fiquei aconchegada com a espontaneidade de tudo, em saber onde encontrar tudo que eu queria, em simplesmente encontrar as coisas, me comunicar, entender e ser entendida no meio da rua, enfim, estar em casa. Foi engraçado que nos primeiros dias, eu ouvia as pessoas falando nas mesas dos lados, no metrô, e pensava, ó, tão falando português, rs, do mesmo jeito que penso quando escuto brasileiros aqui pela rua haha. Demorou pro cérebro registrar que sim, to ouvindo português porque estou no Brasil. E demorou mais ainda pro cérebro registrar, e pro coração aceitar, que eu me sentia muito mais em casa na calçada da Paulista, olhando aquele meu povo incrível e desconhecido, do que na sala da casa de amigas.

E no fim, acho que estou começando a aprender que viver fora é isso. É ser incompreendida, e também talvez não compreender mais tanto assim. É ficar por fora das coisas, se sentir desconectada, mas no fim, olhar praquelas pessoas todas, e saber que sou amada. Amada de um jeito estranho, amada com um tom de nostalgia, porque acho que me amam pelo que já fui, sei lá se pelo que agora eu sou. 

Nêuchatel

Teve um dia aí das férias que de tanto viajar, andar, nadar e observar eu acordei exausta. Minhas pernas doíam, costas, e eu quase chorei que não queria sair da cama hahaha. Aí resolvemos fazer umas mudanças nos planos e ir pra um lugar mais perto de casa. O destino traçado foi pra Nêuchatel, um cantão francês próximo ao Cantão de Berna. Porééém, para me dar folga pero no mucho, Mati achou um jeito diferente de chegar na cidade de Nêuchatel: um cruzeiro por dois lagos. 

Foi assim que fomos parar em Murten, uma pequenina cidade medieval na beira de um lago. A cidade data de 1170, e pra mim isso é muito surreal. A gente é Brasil, né... em 1500 tinha índio lá deitado na rede (nada contra, alias, volta índio, deu tudo errado), e aí a gente se depara com o povo se amuralhando e fazendo baile da corte em 1200 e eu fico bem de cara. 

Um dia chuvoso em NYC

Ano passado foi o ano das conexões pavorosas em New York. Em agosto eu mofei 10h no JFK, e depois passei 12h na cidade. Em outubro fomos para Minneapolis e, novamente, a passagem mais viável era através de NYC. Chegamos num sábado de manhã, e chovia :( Deu um baita desânimo, porque teríamos o dia todo pra andar, e andar debaixo de chuva é chato, né? Além do que, era a primeira vez do Mati na cidade - pois é, o rapaz é da California, já foi até pro Japão, mas nunca tinha ido pra NYC.

Mas ok, engolimos o choro e pegamos um taxi pro Brooklyn, pra casa da minha amiga Emilia. Ela mora em Carroll Gardens, uma área mega charmosa no sul do Brooklyn, um pouco pra baixo da ponte. Fomos recebidos com um brunch mara, e depois de botar o papo em dia, seguimos para a nossa andança. Nossa idéia era andar pela beira da água até a Brooklyn Bridge, e então seguirmos para Williamsburg. E assim fizemos.

Desde a minha primeira ida a NYC eu já tinha achado essa parte do Brooklyn puro charme, super fotogênica, muito gostosa mesmo. E não estava enganada. Mesmo com chuva é uma caminhada muito agradável. Se não tivesse chovendo iríamos pegar bicicletas do Citibank, que estão espalhadas pelo bairro, são ótimas, e por ali é cheio de ciclovia. Mas seguimos a pé mesmo. 
Eu e Manhattan pelos olhos dele

Curtas

O verão aqui em Berna simplesmente acabou sem nem dar tchauzinho. Dia 30 de agosto estava mais de trinta graus, eu estava nadando no rio, tomando sorvete e estirada no sol. Dia 31 amanheceu chovendo, doze graus, e foi só daí pra baixo. Esse fim de semana tivemos manhãs próximas de zero, é mole? Cadê o outono que deveria estar chegando? Pois é... parece que esse ano vai ser assim, de um verão lindo e ensolarado direto para um inverno gelado.
Outono, não desiste da gente, por favor
* * *
Rolou uma ida vapt vupt pra Portugal há dez dias. Fomos correndo pra um casamento em Cascais e eu fiquei é enlouquecida pelo pouco que vi do país. Chegamos numa sexta a noite em Lisboa, saímos com um amigo para beber vinho e ouvir fado, e eu amei o charme da cidade. Quando saímos de casa no sábado e eu vi a cidade de dia, aí sim que me apaixonei de vez. Sem contar os preços, né? Tivemos um problema na chegada e tivemos que rodar uns 40 minutos de taxi, e deu míseros 18 euros, rs. Eu preciso de quase o dobro disso pra ir de casa até a estação de Berna, coisa de 8 minutos hahaha. E preciso nem dizer que casamento em Cascais, na beira da praia, com as melhores amigas do mundo, não tem com dar errado, né? Foi uma noite daquelas pra entrar na memória. E acho que esse conjunto de lembranças, as comidas maravilhosas, as vistas, a simpatia do povo, tudo, já me fez botar alerta de passagem. Muitíssimo em breve espero estar explorando Portugal com o tempo e a profundidade que esse país merece.
Descabelada pelas vielas de Alfama
Matando a saudade de pão na chapa e de pastel de nata
E o cenário de memórias que ficarão pra sempre no coração
* * *
Tenho recebido um monte de visitas e não poderia estar mais feliz. Quando eu realizei que não receberia o visto B esse ano saí pedindo pra todo mundo que pudesse vir me visitar. Seria um desperdício eu passar dois anos sem trabalhar e as visitas começarem a chegar bem quando eu não estivesse mais livre, né? Mas como quem tem amigos e família tem tudo, meu chamado foi atendido e as visitas começaram a chegar. Tem sido maravilhoso mostrar minha nova vida pra pessoas queridas, e além de tudo, me ajuda a sentir que isso tudo aqui é mais real. Ver as pessoas que estão desde sempre na minha vida agora aqui na minha casa tem me ajudado a sentir que a minha vida aqui é pra valer, é real, que aqui é minha casa mesmo. Não sei exatamente porque é assim, mas é. E tende a intensificar. Será um semestre de casa cheia e de coração preenchido.
Pedalando...
... e descendo o rodelbahn com os amigos
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Por fim, a vida pode estar muy bela, mas tem dia que nasce cagado, né? Pois é. Vou fazer um brevíssimo relato do que se passou em nossas vidas ontem entre as 16:30 e as 19h:
- estamos pedalando, o celular de menos de dois meses de Mati voa pra fora do bolso dele e se estraçalha no chão; 
- vamos estacionar as bicicletas num café e começa uma chuva daquelas de vento que antes de você pensar em correr pra dentro, você já está ensopada e pingando, gelada, com a temperatura de 9 graus; 
- após o café, resolvemos seguir na chuva até a estação e pegar um trem com as bicicletas mesmo. Estamos la na estação quando vejo uma mulher olhando muito pra gente. Ela chega perto e solta a bomba: uma das nossas bicicletas foi ROUBADA dela há quase três anos, e ela procura a bicicleta desde então. A bixa estava tremendo, sem voz, chocada, e nós com aquela cara de WTF?! né. Há 2 anos e  meio a gente nem morava aqui, mas dada a situação, a tristeza dela, e tudo mais, achamos por bem fazer o que era certo.. Moral da história: voltamos pra casa molhados, gelados, com um celular e uma bicicleta a menos. Ta bom de estrago em duas horas e meia, né?
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E é isso.. entre perdas e ganhos, entre passeios e dias tranquilos, momentos de casa cheia e tardes sozinhas ouvindo música, a vida aqui vai muito bem obrigada :)

Mais uma lista

Sabe essas listas do que fazer antes de morrer? Antes de casar? Antes dos 30? Que lugares conhecer? Adoro ler e ver como eu me saio. Não pauto minha vida por isso, mas sempre dou umas risadas. 

E aí que esses dias alguém postou uma lista engraçada no FB, de coisas a se fazer na vida, para o bem ou para o mal. Aquela coisa "da vida bem vivida". E eu fui lá olhar, e resolvi compartilhar aqui, porque a maioria dessas coisas me lembra histórias engraçadas. 

Bares e Restaurantes em Berna

Na esteira dos roteiros que fiz aqui pra Berna (veja aqui e aqui), achei legal falar também dos meus lugares favoritos para comer e bebericar. Uma das coisas que eu mais gosto aqui é que não tem "área turística", daquelas onde você vai achar restaurantes de qualidade duvidosa por preços altos, tipo Las Ramblas em Barcelona ou Little Italy em NYC. A parte turística de Berna está no coração da cidade, onde todo mundo faz tudo, e onde os locais transitam o tempo todo. Resolvi listar aqui os bares e restaurantes que, hoje, são os meus favoritos. Eu ainda tenho muito o que conhecer nessa cidade, tenho uma lista de bares e restaurantes para ir, mas como é caro, a gente vai indo devagarinho, rs...  

Um roteiro para Berna - Parte 2

Falei um pouco aqui do roteiro "básico" e essencial de Berna. A verdade é que esse passeio pode ser feito numa tarde, ou num dia se você demorar bastante em cada lugar. Mas isso não significa que quem resolver esticar e passar mais dias aqui em Berna vai ficar entediado sem ter o que fazer, né... Temos sim mais coisas por aqui. 

Gurten
Já falei da montanha urbana de Berna aqui no blog. Na ocasião do post era minha segunda vez lá. Desde então, fiz uma trilha até lá (spoiler: é íngreme, mas os locais amam), e fui também num esquema kids, para aproveitar com crianças. A real é que o Gurten é uma delícia de parque, com uma baita vista pros Alpes, com trilhas para adultos, atividades para crianças, e que vale muito a pena, ainda mais se o dia estiver claro e bonito. O tram 9, sentido Wabern, te deixa no pé do morro, de onde você pode fazer trilha morro acima, ou pegar um funiculaire que custa 5 francos cada trecho. Para os aventureiros é possível levar uma mountain bike no funiculaire e descer numa trilha bem legal também.
Passeando no Gurten
Diversão para os pequenos... Lá tem vários trenzinhos, tem carrinhos para dirigir, parquinho, casa na árvore, etc 

Um roteiro para Berna - Parte 1

Eu já tinha começado a rascunhar esse post há muito tempo, mas acabou esquecido no meio do caminho. Mas aí uns tempos atrás a Alê chegou aqui no blog atrás de informações, e eu percebi que estava comendo bola. Mas ok, antes tarde do que nunca - e alias, se o post estivesse no ar, talvez eu não tivesse trocado uns emails com a Ale, e não teríamos nos conhecido aqui em Berna e olha, que desperdício teria sido hahaha.. 

Eu tenho recebido muitas visitas por aqui, e tem um roteirinho meio básico que adoro fazer com elas. Berna é uma cidade pequena, e os highlits cidade você consegue ver com calma num dia. Então vou colocar aqui nessa primeira parte o roteiro básico e depois numa parte dois vou dar umas dicas extras para quem tem mais tempo na cidade :)

O fim das férias

As férias acabaram. No caso, as férias de Mati, porque sabe como é, não é que eu tenha um trabalho para ir. Mas nessas seis semanas em que ele esteve de folga, passeamos pela Suíça, tínhamos nossos dias de faxina, encontramos os amigos e fazíamos basicamente tudo juntos. E agora acabou, e eu preciso voltar pra rotina. Porém estou aqui, tentando desenhar uma rotina...

Em julho, mesmo com nossas viagens, eu mantive o curso de alemão. Ia para lá de manhã e depois encontrava Mati na estação de trem e saíamos para passear. No fim do mês terminei o nível B1, mas ainda não me sinto apta a começar o B2. Não acho que absorvi a maior parte do vocabulário a que fui exposta, nem estou dominando algumas regras gramaticais básicas. Por isso, resolvi fazer um curso de conversação. Todas as segundas-feiras, por uma hora, irei lá papear. É pouco, eu queria mais, queria duas ou três horas por semana, mas entre as ofertas que eu encontrei aqui na cidade, foi a que se ajustava melhor em termos de horário, preço, etc. São dois meses e vai até o fim de outubro, e aí posso ver se me sinto mais confortável para começar o B2. 

Mas e aí? O que fazer com todo esse tempo livre? Em tempo... em julho fomos fazer a renovação do nosso visto na Gemeinde e a moça me deu esperanças de que conseguiríamos um visto B. Balela. Cá estamos nós, por mais 12 meses com um visto L (e aqui eu falo da diferença entre eles). Sigo aplicando pra vagas, mas sem grandes esperanças de ver algum emprego se concretizando. Ou seja, trabalhar não é muito uma possibilidade, não por minha escolha. Mas estou vendo a viabilidade de fazer trabalho voluntário. 

Também estou em busca de um curso - em inglês, espanhol ou português - de corte e costura. Encontrei uns aqui, mas em alemão e eu não tenho condições. Quando chegamos aqui ano passado, o professor a quem Mati veio substituir ainda não tinha ido embora, e nos mostrou algumas coisas que tinha para vender. Acabamos comprando uma mesinha, um microondas, uma máquina de costura, botas e snowboard, tudo pela bagatela de 90 francos haha. Um ano se passou e eu ainda não aprendi a usar a bendita da máquina e acho que agora é a hora. Não tenho grandes pretensões, tipo participar do Project Runway hahaha, mas gostaria de aprender a usar a máquina, poder fazer barra de calça, fazer uns guardanapos e toalhas aqui pra casa. Sou péssima com habilidades manuais e acho que poderia melhorar um pouco.

Ainda para aproveitar e manter mente sã e corpo são retornei ao ballet duas vezes na semana, que também tinha largado nas férias, estou com um plano aí de voltar a correr, rs, e retomarei minhas caminhadas com a terceira idade. Em breve elas devem acabar, porque né... winter is coming, rs. Mas é ótimo. Tenho contato com suíços, falo alemão, vejo lugares diferentes e aproveito os dias fora, coisa que sentirei muita falta no futuro friorento.

Enfim, estou aqui tentando fazer desse ócio quase forçado um período produtivo. Estou tentando encarar como uma grande oportunidade de exercer criatividade, de aprender coisas diferentes, de me dedicar a mim mesma e de, no futuro, quando estiver trabalhando, não olhar pra trás e pensar que poderia ter aproveitado mais.

Montreux Riviera e arredores

Numa segunda eu e Mati pegamos o trem em Berna as 11 e meia da manhã sentido Lausanne, lá trocamos pra Montreux e quando o trem anunciou Vevey olhamos um pra cara do outro, pegamos as bolsas e descemos correndo. Tendo um dia inteiro pela frente, seria bobagem deixar de dar uma passada em Vevey, uma cidade pequena porém rica riquíssima haha. Vevey está um pouquinho antes de Montreux na beira do lago Genebra, e é a cidade sede de nada mais nada menos que a Nestle. 

Como não nos planejamos estar ali, não sabíamos bem pra onde ir. E quando é assim, você vai é pra beira do lago que lá você se acha. Dito e feito. Achamos um carrossel, achamos pessoas tomando sol em seus barquinhos, achamos uma "praia" com areia na calçada e várias senhorinhas estiradas em cadeiras de madeira, achamos o famigerado garfo (uma escultura feita em 1995 em homenagem ao Museu da Comida), e a estátua de Chaplin - que escolheu a cidade para viver e morrer. Andamos também pelo centrinho, e constatamos que é uma cidade linda de doer. Fofa demais, com lojinhas, cafés e vitrines interessantes. 
O belíssimo Lago Genebra
A "praia" de Vevey
As ruelas fofas - e a estátua do Chaplin na beira do lago

Blausee & Oeschinensee

Desde que eu comecei a ler sobre a Suíça, volta e meia ele aparecia em algum texto, algum post do buzzfeed, lindo e absurdamente azul, o Blausee. Um lago que parece sonho e fica aqui no Cantão de Berna. Estava na minha Swiss Bucket List há mais de ano, e eu não via a hora de vê-lo. Agora, durante o nosso mês de exploração da Suíça obviamente que ele não ía ficar de fora. Comecei a ler algumas coisas e vi que seria uma boa casar a visita ao Blausee com o Oeschinensee, outra pérola nos Alpes. Tava feito o roteiro de um dos melhores dias das férias inteiras :)

Saímos aqui da Bahnhof de manhã rumo à Frutigen, uma viagem de 45 minutos. Chegando lá pegamos então o ônibus 230 sentido Kandersteg e descemos na parada Blausee. É bem fácil e basicamente todo mundo no ônibus desceu também. Na descida do ônibus já da pra ver a entrada no parque e a entrada custa 8 francos por adulto. Logo na entrada há uma trilhinha bem fácil e gostosa, e dura sei lá, 5 minutos se você for bem devagarinho rs.. e aí tcharam:

O mês mais incrível da minha vida

Semana passada completamos o nosso mês rodando pela Suíça e agora posso dizer com propriedade o que o título desse post diz. Sem exagero. Pra começar que a última vez que eu tive um mês de férias, de não fazer NADA, de não ter compromisso nenhum, faz mais de dez anos. E nessa época minhas férias se revezavam entre Pariquera, Adamantina e Ilha Comprida. Não nego que me divertia muito, mas convenhamos que as paisagens ficavam devendo. 

E outra que nós fizemos sim do limão uma limonada, e conseguimos, em um mês:
- rodar mais ou menos 4.700 quilômetros. Parece pouco? Lembre que a largura da Suíça é de 350 km e o comprimento máximo  é de 250km... Agora me diz se 4.700 km não é chão?
- visitar 17 cantões; 
- passar por outros 3 países que fazem fronteira com a Suíça; 
- passear em 34 cidades (entre cidades grandes e conhecidas como Zurich, e comunidades com 250 habitantes como Gandria); 
- visitar 13 diferentes lagos e nadar em 6 deles - Mati nadou em mais, mas eu sou mais sensível à temperaturas, rs; 
- ver grandes rios que povoavam meu imaginário, como o Reno e o Ródano;
- ver algumas bizarrices, como um festival medieval e um campeonato de Schwingen, a luta suíça; 
- ver as paisagens mais pitorescas que eu poderia imaginar, andar ao lado de uma geleira, fazer trilha e nadar em lagos com vacas, encostar em paredes erguidas há quase mil anos atrás, e no fim do dia voltar pra casa. 

Eu nunca imaginei entrar numa jornada dessa, e acho que comecei subestimando o potencial do país. Por todas as surpresas que encontramos no caminho, por todas as vezes que meus olhos mal conseguiram processar a beleza da paisagem que estava na minha frente, por todas as viagens que já eram lindas antes mesmo de chegarmos ao destino, e por todos os dias em que vivi tudo isso com a melhor companhia ao meu lado, digo sem exagero, que foi o mês mais incrível da minha vida. 
Tomando um negocinho na estação de Zurich
Chegando em Nêuchatel
Eu, no Acesso às Utopias 
Bernese Oberland
Lungern, uma das vilas mais fofas que eu já vi 
Schwingen em Zug
Pelas ruas de Fribourg
E eu tentando sair da foto mas acabou que ficou bonito, né?
Nas escadarias de Lausanne
De cara com uma geleira
Deu pra convencer rapidinho assim todo mundo a vir pra Suíça?
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Ps 1 - Tentei ir escrevendo conforme as coisas foram acontecendo porque quando o tempo passa eu desanimo e perco a inspiração. Claro que no ritmo em que viajamos, acabou não rolando sempre. Então vou tentar postar as coisas desse mês conforme for lembrando. 

Ps 2 - As fotos em que eu apareço foram tiradas pelo digníssimo Matinho, também conhecido como @mmreyno. Ele é muito muito talentoso, curte muito fotografia, e quem quiser ver mais do nosso mês (e da Suíça) pelo olhar dele, só seguir no instagram :)

Um ano de Suíça

Interrompemos a programação de férias para dizer que....
... hoje faz um ano que chegamos com nossas sete malas de 32kg, duas malas de mão, duas mochilas nas costas, coração apertado e muita vontade de fazer tudo dar certo. As vezes penso que os anos passam de pressa e os dias passam devagar. Porque se por um lado parece que foi ontem que me mudei, por outro parece que faz anos que estou aqui me debatendo com a língua, com a casa, com a nova vida. Acho que um ano é pouco e ainda preciso de muito mais tempo para descobrir a Suíça e decifrar o povo suíço, rs. Mas resolvi, para celebrar essa data, listar aqui algumas impressões que tenho hoje sobre o país. Hoje bem grifadinho, porque elas podem mudar. 

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É um país absurdamente plural para o seu tamanho
Dizer que o Sul e o Norte do Brasil são como países diferentes, em termos de cultura, sotaque, clima, etc, é chover no molhado. Mas para pra pensar: para ir do sul ao norte do Brasil precisa-se de 6 horas de voo - o Brasil tem dimensões continentais e falar de Porto Alegre e Manaus, em distância, é como falar de Londres e de Istambul. Agora pensa que eu to aqui, de boa na minha casa, entro no trem que passa aqui na porta, desço 50 quilômetros pra frente num lugar em que as pessoas falam outra língua - sim, língua, e não dialeto - tem outra religião dominante, tem outros feriados, outras regras sociais. Pois é. Embora eu soubesse disso, é bem surreal quando você vive a coisa. A impressão que eu tenho da Suíça é que os tais cantões que se juntaram e formaram a Confederação Helvética somente o fizeram por proteção e conveniência mesmo, porque unidade é algo que por enquanto só vi no Feriado Nacional e durante as Olimpíadas rs. Os dialetos de uma cidade para outra se diferem, de um cantão pro outro nem se fala. As vezes quando viajamos por aí parece que estamos mudando de país, porque de repente tudo fica diferente - o sotaque, o cardápio, a arquitetura, o estilo de vida dos moradores. Mas na verdade só saímos de um Cantão pra outro. E é por isso também que muito do que eu vou dizer nesse post se refere a Berna - e quem vive em Genebra talvez tenha uma experiência bem diferente da minha.

As pessoas são muito simpáticas mas não amigáveis
Aqui em Berna você chega num ponto de ônibus e todo mundo se cumprimenta. Quando você está fazendo trilha, ou caminhada, todo mundo que se cruza, se cumprimenta. No mercado o caixa sempre te deseja um bom dia, uma boa noite, dependendo do horário. O motorista de ônibus também. E é assim... Todo mundo faz um small talk, uma simpatia gratuita. Agora ser amigo? Ah, isso os suíços estão bem de boas. Eu confesso que tenho pouco contato com suíços. Como não trabalho, meu contato se resume aos professores de alemão, às colegas de ballet e a alguns parceiros de colegas de Mati. Os professores são abertos na medida que um professor acha ok se abrir com alunos, normal. Os parceiros dos colegas de Mati são sim mais abertos, a começar porque seus pares são estrangeiros e né... é um grupo, colegas de trabalho e tal, claro que o pessoal vai ser mais amigável. As meninas do ballet? Depois de quase 10 meses nos vendo toda semana, eu tenho um telefone aqui na agenda, consegui sair fora da aula com uma delas, e no último mês duas delas resolveram perguntar um pouco mais da minha vida, só. Fora a minha experiência, eu escuto cada história... A melhor delas foi de uma moça romena que trabalhava todo dia com uma suíça, e as duas apaixonadas por plantas, sempre batiam papo sobre o assunto. Depois de três anos, a suíça perguntou pra ela: você gostaria de ver minhas plantas? Ela ficou toda animada achando que seria convidada para a casa da colega, né... Pois recebeu um CD com fotos das plantinhas hahaha. Não é lenda. Essa história eu ouvi da boca da colega frustrada. Dizem que é difícil fazer um amigo suíço, mas quando você faz, é pra vida. Eu ainda estou esperando pra ver. 

Faz calor na Suíça
O brasileiro em geral acha que neva o ano inteiro na Suíça, rs. Isso é um fato. Já recebi trocentas mensagens de como vai o frio aí, enquanto to aqui suando em bicas. Mas a verdade é que mesmo sabendo que existe verão e tal, eu não esperava uma estação tão marcada. Desde junho os dias estão quentes, e as noites as vezes também. O normal é dar uma caída na temperatura quando escurece, e logo de manhãzinha, o que é pra mim a descrição de dia perfeito: fresco enquanto durmo, calor enquanto estou acordada. Mas estou mesmo surpresa com o tanto de dias em que a temperatura passa pra cima dos 25 graus, alguns dia até dos 30. Isso é algo que eu realmente não esperava da Suíça. Sabia que teria dias quentes, mas não sabia que seria uma característica do verão - um verão efetivamente quente. Dizem que antigamente não era assim... mas taí, o aquecimento global é real, e eu sinto um pesinho na consciência por amar os dias aqui como eles são. Portanto, se for fazer as malas pro verão na Suíça, lembre que aqui faz calor sim. 

É um país eficiente
O transporte é dos sonhos, exatamente como imaginamos. Os trens quase sempre estão na hora - quando atrasam a previsão vem sempre escrita no painel. As conexões são curtas, e é tudo programado para que você chegue de A a B sem maiores transtornos. Nevou cântaros? Sem problemas. As máquinas passam, os trilhos aguentam, sei lá o que eles fazem, mas tudo funciona. Véspera de vencimento do visto? Recebemos a cartinha aqui em casa pedindo para levarmos a documentacão na Gemeinde (tipo a prefeitura) e logo recebemos visto novo. Seu filho ta em idade de começar a ir pra escola? Você vai receber uma carta com instruções sobre o que fazer. E esses são alguns exemplos, mas a real é que, repito, tudo funciona. As vezes a passos meio lentos, verdade, mas funciona. 

Vizinhos são o grande problema da sociedade suíça
Logo quando chegamos um amigo nos sugeriu que procurássemos um prédio que não tivesse somente moradores suíços. Recebemos esse conselho 10 minutos antes de receber a ligação avisando que tínhamos conseguido nosso apartamento e aí já era tarde demais. Acabou que aqui no meu prédio tem um só apartamento de suíço, sendo meus outros vizinhos portugueses, turcos e kosovares. E acho que isso explica o total de zero tretas que tivemos até agora, mesmo com uma festinha barulhenta que demos no meu aniversário. Eu realizei que o problema era sério de verdade quando na aula de alemão tivemos uma lição sobre briga entre vizinhos. E é sério mesmo. Já ouvi caso de quem tomou puxão de orelha porque limpou a casa num domingo, de gente que tomou xingo do vizinho porque conversava enquanto comia as 23h da noite, e tivemos o caso extremo de amigos que se mudaram porque era tanto problema que não dava mais. Depois de um ano somente. E sabe que tipo de problema? Receber um SMS as dez e meia da noite dizendo "não acredito que vocês estão tomando banho a essa hora". Ou ainda "não gosto de você porque você não está estudando alemão". Pois é. Por essas e outras que eu penso que não me mudo do meu apartamento por nada hahaha. 

O outfit oficial do suíço
Antigamente se alguém me perguntasse o que eu imaginava da moda suíça, acho que diria roupas discretas e elegantes arrematadas por relógios caros. Não fica muito longe disso, pessoal aqui é bem básico no dia a dia. Mas hoje, se tivesse que descrever um estilo, um look, para resumir como o povo suíço se veste, eu diria que assim:
O suíço ta sempre pronto pra fazer um hiking hahaha. É incrível como o povo ta sempre pela rua com sua botinha, com seu aparato da Jack Wolfskin, da North Face, os mais velhos com seus sticks, e assim vai. Até as crianças. No inverno você troca esse short aí por uma calça e de resto fica tudo igual. A botinha, a jaquetona, a pinta de quem vai entrar no meio da floresta, armar a barraca, fazer um fogo direto da lasca da pedra hahaha. Eu diria que o estilo suíço é o estilo escoteiro. 

É um bom país para se mudar
Principalmente se você for marinheiro de primeira viagem na vida de mudanças internacionais, como eu era. Se por um lado o suíço não parece exatamente querer fazer muitos amigos, por outro devo dizer que é um país relativamente fácil para ser estrangeiro. Pra começar que o tanto de gente que fala inglês aqui é absurdo, ainda mais se comparado com o Brasil. Nas cidades, nas áreas centrais, basicamente todo mundo fala. Outra que tem muito, muito estrangeiro aqui. O número oficial gira em torno de 24% da população do país, chegando a 40% em algumas cidades. Eu discordo um pouco desse número porque nele entram filhos, netos de estrangeiros que imigraram pra ca há 50 anos, e que nasceram aqui, são integrados, mas não tem o passaporte. Mas ainda assim, é um número altíssimo. Ou seja, se você não fizer nenhum amigo suíço, no big deal... Há toda uma comunidade de estrangeiros para socializar, gente que passa pelos mesmos perrengues que você, que sofre nas aulas de alemão com você, que ta longe de casa, que ta na luta e que está a procura da sua turma. 

Foi um ano. Não sei se o primeiro de muitos, ou o que. Mas me sinto orgulhosa de tudo que realizamos, de como passei do choro diário, da saudade, da frustração absurda, de me sentir turista na minha própria casa, ao aconchego, à sensação de quase pertencimento. É uma jornada mesmo, e é longa. Sinto que ainda estamos no começo. E que venha o segundo ano na Suíça!

Thun & Interlaken

Todas as vezes em que que subimos pras montanhas, ao passar pelo lago Thun eu ficava abismada. É um lago imenso, azulzinho, cheio de barquinhos, e eu imaginava o verão lindo que devia rolar por ali. Ano passado passeamos pela cidade, mas já estava frio e nem chegamos a ir para a beira do lago. Então em nossa primeira semana explorando a Suíça resolvemos tirar uma manhã para ir nadar por lá. 

Um dia em Biel e Arredores


Dando a largada pro nosso mês explorando a Suíça resolvemos não ir muito longe. Mais precisamente, começamos nossa jornada em Biel (ou Bienne), uma cidade aqui no Cantão de Berna, a 25 minutos de trem. A cidade fica na fronteira da suíça alemã com a suíça francesa, e por isso é a cidade com a população mais dividida do país. Tão dividida que até o nome oficial da cidade é Biel/Bienne. Biel é alemão, Bienne é francês. A população se divide entre as duas línguas, e não há uma só placa naquela cidade que não esteja em francês e alemão. Já que esse blog aqui anda focado no alemão, fiquemos com Biel hahaha. 

Já há um tempo estávamos com curiosidade para conhecer a cidade, mas ninguém falou coisa boa de lá. O grande trunfo de Biel é ser a sede de grandes empresas de relógios, como Swatch, Omega, Tissot, entre outras. Mas nos disseram que isso não se traduzia em atrativos turísticos. Como há um lago, e nesses dias quentinhos estamos priorizando água, demos uma busca em coisas pra fazer na área e na segunda pegamos o trem. A real é que saindo da estação a cidade não tem nada demais mesmo, e é bem feinha. Mas andando uns 10 minutos chega-se na cidade velha ae  coisa fica um pouco mais interessante. Tem uma pracinha medieval, com suas igrejas, sinos, prédios coloridos fofinhos, bares, janelinhas e escadinhas. Eu adoro. Tiramos algumas fotos, sentamos pra olhar a vida passar, mas depois de uma hora tínhamos esgotado a cidade velha. Um ps - Jean Jacques Rousseau, nascido em Genebra, passou um período na área, quando era foragido por perseguição religiosa. Em Biel, por acaso demos de cara com a casa onde ele se refugiou. Não é possível fazer visita, mas tem uma placa na parede. Ele ficou lá por pouco tempo e depois foi parar numa ilha, da qual vou falar um pouco ali embaixo.
 

Explorando a Suíça em um mês

Em julho fazemos um ano de Suíça. Nesse 11 meses e 10 dias até que passeamos bem, ainda mais se considerar nossas limitações de tempo e dinheiro. Estivemos em 12 dos 26 cantões que compõem o país, e já passeamos pelas principais cidades: Zurich, Basel, Lausanne, Lucerna e Genebra. Também nos aventuramos por algumas montanhas e lagos, mas esse país é enorme e tem muito a oferecer, e o que vimos é muito pouco. 

Pois bem. Dado esse panorama, e as férias de 6 semanas de Mati que começaram segunda-feira, resolvemos comemorar nosso um ano de Suíça explorando-a ao máximo. Fizemos um GA (General Abonnement), que é um passe que dá direito a toda rede de transporte público nacional: ônibus, trens, trams, barcos, ferries, etc - e com ele pretendemos tirar vantagem do território reduzido da Suíça e também da posição centralizada de Berna. Faremos muitas day trips (alias, já começamos hoje), pretendemos fazer alguns hikings, nadar em todos os lagos em que for possível, e curtir muito esse verão e esse país. O GA pode ser feito anual ou mensalmente - e por ora, claro, fizemos somente para o mês de julho.

Alias, quem um dia quiser passear pela Suíça sem lenço e sem documento, saiba que não precisa de um mês não. Em 4, 5 ou 7 dias é possível fazer muita coisa por aqui, ver paisagens diferentes, contrastantes, ouvir línguas e dialetos, comer variadas cozinhas e se encantar. E pra isso, no mesmo esquema que o GA, existe o Swiss Pass - da acesso a tudo, mas você pode fazer por períodos menores (3, 4, 8 e 15 dias), conforme sua conveniência. Vale a pena dar uma fuçada e ver o que vale a pena - ainda mais porque o transporte público na Suíça, o que tem de eficiente, tem de caro. Então, se a ideia é montar base num lugar e fazer day trips, o Swiss Pass vale super a pena. 

Enfim, acho que esse mês vai dar muito material aqui pro blog - tanto pelo potencial turístico da nossa empreitada, como por estarmos aprofundando nosso conhecimento no país em que escolhemos viver. Em breve, muita Suíça por aqui!

Wine Trips - Alsace

Em fevereiro fiz uma viagem para o Piemonte com o grande objetivo de nadar em vinho, rs. A experiência foi tão maravilhosa que resolvemos repetir a dose, mas dessa vez para Alsace. Afinal o verão estava chegando, e vinho branco é o que há. Então vou contar um pouco da experiência mais recente - fomos no primeiro fim de semana de junho - e mais pra frente conto como foi no Piemonte. 

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Pelas ruas de Eguisheim 
Alsace (ou Alsácia como conhecemos no Brasil) é uma região francesa que fica bem na divisa com a Suíça e a Alemanha. Foi motivo de muita briga entre França e Alemanha, e nos últimos séculos passou do domínio de uma para outra algumas vezes. Por conta desse histórico, hoje é uma região francesa altamente influenciada pela cultura alemã, principalmente na arquitetura e culinária. O que há de mais marcante na região? O vinho branco, os famosos Vin d'Alsace. E foi pra isso que a gente foi pra lá :)

Meu primeiro verão europeu

Poderia dizer que estou cheia de coisa pra fazer, por isso que as coisas andam meio paradas por aqui. Mas não é verdade. Eu agora só vou na escola três vezes por semana logo de manhã, e depois não tenho nenhum outro afazer além do meu compromisso com o verão, haha. Esse nasceu comigo. Então pensem que nas últimas semanas o termômetro anda passando dos 30 graus, o calor ta pegando, e Berna já virou Bern de Janeiro, como costumo dizer por aí. O povo anda de biquini pra cima e pra baixo pela cidade, se joga nas piscinas públicas, e principalmente, se joga no Aare. E eu to fazendo igual. Passo os dias indo na piscina de manhã, me jogando no rio à tarde. Entre uma coisa e outra durmo na grama, as vezes vou numas caminhadas com a terceira idade em que me enfiei pra treinar meu alemão, enfim... Dizem que tenho que aproveitar mesmo que normalmente verão aqui não é assim e é isso que estou fazendo. Enquanto isso deixo umas fotos do que ando vendo, e uma playlist com uma miscelânea do que eu ando ouvindo enquanto pedalo e me estiro por essa Berna inteira. 








Real Love Baby - Father John Misty * Want you Back - Haim * Flashed Junk Mind - Milky Chance * Bad Liar - Selena Gomez  * If I could Change your Mind - Haim * Magnets - Disclosure Ft. Lorde * Loud Places - Jamie xx ft. Romy  *  Gosh - Jamie xx * Garden - Totally Enormous Extinct Dinossaurs * Dangerous - The xx  * You Got the Love - The xx covering Florence and the Machine * Mi Mujer - Nicolas Jaar *

Eu e o avião, um relacionamento em crise

Eu nunca tive medo de voar, sempre me senti bem no ar, porém andei me irritando muito com a logística toda que envolve viajar de avião. Deixa me explica: Berna não tem um aeroporto muito funcional. O daqui é pequeno, somente quatro portões, com poucos - e caros - voos. Por conta disso, o mais normal pra quem é daqui é usar os aeroportos de Zurique ou Basel, ou ainda Genebra. 

Agora façam a matemática comigo: para chegar em Basel ou Zurique, preciso de uma hora de trem (Genebra quase 2). Além disso, é sempre recomendável chegar com pelo menos uma hora de antecedência - as vezes um pouquinho mais porque as filas de segurança em tudo que é aeroporto andam grandes. Daqui, dentro da Europa, posso voar em menos de duas horas pra quase tudo que é lugar. E depois chego num aeroporto, que normalmente é longe da cidade e devo pegar um transporte para o centro. Normalmente, essa jornada toda toma pelo menos cinco ou seis horas. Com esse tempo posso ir para várias capitais europeias de trem, sem tanto desgaste. Milão é três horas, Paris é quatro, Amsterdam se pegar uma conexão boa, 7 horas (parece muito, mas isso foi o que eu gastei de avião na última ida, pingando entre vários meios de transporte. Seria mais fácil ficar sentadinha numa poltrona confortável, não?). 

Para além das irritações logísticas, vou contar aqui uns casos que se passaram comigo nos últimos meses, que ajudaram a aumentar minha irritaçãozinha, rs. 
A vista as vezes compensa na amolação, né? 

Cidadania Italiana - A saga continua

Há mais de um ano falei sobre meu processo de cidadania aqui. Por mais que eu tivesse querendo dar gás nas coisas, foi um momento complicado da vida: eu estava casando, recebendo os sogros, organizando mudança de país, trabalhando feito louca, entre outras tantas demandas mentais, e o negócio mais uma vez ficou parado. 

Pois bem, depois de muita enrolação, em julho eu contratei uma advogada para fazer o processo de retificação de acento - nome oficial do processo judicial para corrigir registros oficiais. Nós teríamos que arrumar basicamente 13 registros em cartórios. Entre organizar procurações, obter as certidões necessárias, esclarecer dúvidas, montar árvore genealógica - e mais uma vez, atrasos da minha parte - em outubro conseguimos dar entrada no processo. A minha advogada foi uma excelente escolha - nos orientou corretamente sobre tudo, super cuidadosa na análise dos documentos, entrou com a ação redondinha, e em dezembro obtivemos sentença favorável. Ou seja, surpreendentemente rápido. 

A grande merda é que a publicação da minha sentença foi em 20 de dezembro, ou seja, na véspera do recesso de fim de ano, quando o fórum, a contagem dos prazos e tudo mais para. Resumindo, até o fórum voltar, o MP se manifestar, etc etc, eu só consegui os ofícios em março. E aí adivinha? Vieram vários errados, rs... Aí entre pedir a correção (duas vezes) e solicitar aos cartórios, enfim, terminamos maio com todos os documentos devidamente retificados. 

Mas como aqui é novela mexicana italiana, agora o problema é outro. Eu estava em negociação com um assessor, o qual foi muito bem recomendado por várias pessoas de diferentes círculos de convívio, para me assessorar lá na Itália. Uma ex roomate da minha irmã, uma amiga de amiga, uma amiga de outra amiga, ou seja, várias pessoas que fizeram com esse cara e foram bem atendidas e tudo deu certo. Porém, aparentemente, além de fazer o processo de quem tinha direito, ele também fazia outras coisas não exatamente lícitas. E algumas semanas atrás a casa caiu. Aí eu fiquei meio apavorada. Porque Deus me livre de ter meu nome, minha cidadania, atrelada a coisas ilegais. Eu, que estou aqui há anos trabalhando pra fazer tudo direitinho...

Enfim, agora estou aqui com a pulga atrás da orelha, sem saber em quem confiar. Encontrei mais assessores altamente indicados, porém todo mundo de agenda cheia, com possibilidade de atendimento somente para meados de 2018. Pior: como desdobramento da ação policial desencadeada, alguns communes estão alterando procedimentos, e tenho um pouco de receio de ir pra lá e ver as regras do jogo mudando no meio do caminho. Então, no momento, estou pesquisando possibilidades, inclusive a de fazer o processo aqui na Suíça. Em breve, updates. 

Sobre Maio

E mais um mês se passou... Nem consigo acreditar, mas já faz 10 meses que estamos em solo suíço. Em abril não fiz balanço, porque meu mês se resumiu a fazer aniversárioir pro Brasil e voltar pra casa. Mas eu adoro esses recaps mensais, quando olho pra minha vida, pras minhas metas, vejo se/o que estou realizando, e por isso não queria deixar maio passar batido. Porque maio foi ótimo. 

Nesse mês segui no plano de pequenos passos para 2017... conheci lugares novos aqui em Berna (devo dizer que nenhum digno de nota, rs), andei muito de bicicleta pela cidade toda, voltei a correr (bem devagarinho hehe), cozinhei umas coisas diferentinhas. Por outro lado, a cidadania deu um semi passo pra trás - irei falar disso num post separado, e percebi que empaquei na leitura. Estamos entrando no meio do ano e eu não terminei ainda um segundo livro. Mas nem foi por isso que maio foi ótimo.

Além do calor, tão festejado nesse blog, teve uma viagem especial. Fui para Amsterdam comemorar o aniversário de uma amiga que mora lá. Foi minha quarta vez na cidade, e o total de zero compromissos com a turistagem me deixou livre para aproveitar coisas mais triviais, só seguindo a amiga que já é local. Fizemos aula de ioga, andamos muito por bairros afastados do cordão de canais - aquela área turística famosa - e vi uma Amsterdam até então pra mim desconhecida, com uma cara mais de cidade grande, ainda mais multicultural. Comemos muito bem, e descobri diversos cantinhos aconchegantes e gostosos. Pela primeira vez criei coragem de andar de bike pela cidade - claro, com uma quase holandesa me guiando e me ensinando a me comportar no engarrafamento a duas rodas rs. Melhor ainda: a phyna acabou de comprar um barco. Então o que fizemos? Isso mesmo, andamos de bote pra cima e pra baixo. Rodamos de barco pelos canais, fomos pra balada, voltamos cantando as 3 horas da manhã, numa das melhores experiências da vida. Foi tudo incrível, e só fez aumentar ainda mais meu amor por essa cidade <3

Sömmer

Que eu sou um ser do sol, calor e verão não é novidade. Já falei várias vezes por aqui que eu quero mais é que o mundo acabe em areia pra eu morrer na praia. Então já faz semanas que eu estou aqui reagindo com muito entusiasmo a cada raio de sol, cada grauzinho que a temperatura sobe, cada calorzinho que me bate na sombra. E essa semana que passou foi evolução nota 10 (ler com voz do narrador da apuração das escolas de samba). Cada dia mais calor, cada dia o sol mais quente. Que culminou num feriadão de muito verão antecipado. 

Convertendo a carteira de motorista na Suíça

Quando chegamos aqui fomos informados que no primeiro ano poderíamos converter nossa carta brasileira em suíça sem grandes problemas. Depois disso o processo fica um pouco mais complicado. No começo a gente tinha muita coisa pra resolver, e deixou isso de lado. Mas em janeiro achamos que era hora de correr atrás antes que fosse deixando passar até perder o prazo. 

A princípio é tudo muito simples. Você vai na sua Gemeinde - ou direto no Strassenverkehr (o "DETRAN" do Cantão) - e pega um formulário para conversão. Para veículo normal a permissão aqui é B, e você preenche tudo com suas informações pessoais e informações da sua carta de motorista do país de origem. Com esse mesmo formulário, você vai em qualquer ótica que faça o exame ocular, e faz um teste de vista específico. Fiz numa ótica aqui do lado de casa e custou 15 francos o exame. Inclusive preenchemos o papel lá na ótica mesmo, porque estava tudo em alemão e a moça de lá foi super fofa e ajudou a gente. Você deve entregar na Gemeinde (ou direto lá no Strassenverkehr) o formulário devidamente preenchido, com o exame de vista assinado pelo especialista e acompanhado da sua carteira de motorista original. Recomendo ir direto no Strassenverkehr, já que a Gemeinde vai mandar pra lá mesmo. Eu não sabia, mas fica a dica.

Uma questão de auto estima

Não é segredo que no Brasil a aparência vale muito. Todo mundo se cuida bastante, tem um salão de cabelereiro/manicure/mini spa em cada esquina, pessoal gasta com roupa, com sapato, com bolsa, em níveis que beiram a falta de noção. A verdade é já fui assim. Nunca fui perua, mas já gastei muuuuito com roupa, com sapato. E mesmo quando parei com isso, a rotina de salão sempre foi uma constante. E ainda que gastando bem menos, sempre gostei de moda, de me vestir bem. Vá lá que já me disseram que eu fazia o estilo mendiga fashion, mas convenhamos que era uma mendiga fashion phyna.

Aí corta pra Suíça. Povo aqui joga muito mais no time do conforto e da praticidade. Percebo que o suíço médio é bem discreto e funcional, provavelmente porque o frio domina a temperatura quase o ano todo, e porque aqui usa-se menos o carro e mais o pé. Salão, como já amplamente discutido nesse blog, is a NO. Caríssimo, coisa que se faz de vez em quando. Saem os sapatos de salto, entram as botas confortáveis, o casaco fofinho. Sai o salão de beleza, entra a gente de vez em quando dando um tapa no visual com receita de youtube. 

E foi aí que eu me senti um peixe fora d'água no Brasil. Ou sendo mais precisa, uma mocreia. Ia encontrar as amigas e todo mundo bem vestido, cabelo bem cuidado, unha feita, e eu me sentindo super desarrumada, rs. Foi inevitável me sentir meio mal. Mas também foi inevitável fazer uma reflexãozinha sobre até que ponto a vaidade vem do meio, e até que ponto vem da gente. Porque assim, eu nunca fui perua, nunca fui de me enfiar em cima de salto pra ir em qualquer lugar, mas sempre gostei de estar bem cuidada.

Aí parei pra pensar que tirando por algumas ocasiões especiais, eu não passava um batom há tempos. O tal do cronograma capilar então... Nem lembrava mais como fazia. E enquanto isso, meu cabelo duro de cálcio (um assunto, alias, que merece post próprio - a água da Suíça). Pensei também que ando numa preguiça imensa de me arrumar, e sei que isso tem a ver com o fato de ser uma desempregada que somente faz viagens quase diárias ao supermercado e vai pra escola. Que tem zero compromisso com chefe, com cliente, com código de vestimenta.

No Brasil a gente sabe que não só o visual importa muito, bem como as pessoas julgam muito também. Em 9 meses de Suíça, eu percebi sim que andava num estilinho, digamos, mais (bem mais rs) desleixada, mas me sentia zero julgada. Agora foi chegar em São Paulo que eu me senti inadequada.

Agora por quê esse assunto ficou tanto na minha cabeça, me gerou tanta reflexão e virou até post? Foi por que um garçom me olhou atravessado em restaurante lá em SP? A princípio sim. Mas a real é que ao voltar pra casa, comecei a pensar mais no assunto, e cheguei a conclusão que nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Eu seguirei sendo sempre mendiga fashion, é meu estilo, mas percebi que precisava resgatar um pouco o cuidado comigo mesma que em algum momento dos últimos meses se perdeu - porque percebi que me faz falta. Passar um pó na cara de manhã, dar uma penteadinha no cabelo, (porque sim, é bem normal me ver muito descabelada por aí), olhar antes de sair de casa se as duas meias são iguais rs.

Acho que cada um sabe de si, não tem essa de mulher relaxada, vai de como cada uma se sente bem. E acho que eu estou vivendo uma liberdade imensa aqui que é sair de casa como me dá na telha, sem me importar at all com o que as pessoas vão pensar, sem me sentir jamais inadequada. Liberdade, que alias, só conquistei nessa plenitude (porque né, sair de casa por 3 dias seguidos sem pentear cabelo e até com as meias trocadas é muita plenitude na vacalhação, rs) porque as pessoas aqui estão cagando baldes pro que eu uso ou deixo de usar. E nada como a gente resolver, por vontade própria, o que fazer da nossa imagem. No momento, como ando com minha auto estima meio em baixa, chegou a hora de gastar um tempinho a mais comigo.

* esse é o primeiro dos posts pós primeira visita ao Brasil. Tenho várias análises do tipo pra fazer, mas antes preciso organizar as idéias e sentimentos. Aos poucos, muito mais mimimi por aqui.

Fête de la Tulipe em Morges

Desde que comecei a prestar atenção na Suíça, ou seja, de fevereiro do ano passado pra cá quando soube que viríamos, fui bombardeada de cidadezinhas e vilinhas e montanhas e passeios incríveis nesse país. Está tudo anotado em algum compartimento do meu cérebro, e de vez em quando eu tenho umas epifanias. Em algum momento, que não sei quando foi, vi algo sobre tulipas, um jardim bem lindo que mataria - ainda que temporariamente - aquele bicho que faz todo mundo querer agendar passagens pra Holanda na primavera.

E aí eu esqueci do assunto, mas outro dia lendo sobre Keukenhof lembrei que em algum momento desses últimos 15 meses eu vi algo sobre tulipas na Suíça e botei o Google pra funcionar. E foi assim que eu descobri Morges, uma cidade pequena, fofíssima, na beira do Lake Geneva. Daqui de Berna dá mais ou menos 1:30 de trem, contando com o tempo que se gasta na conexão em Lausanne. Fomos  nesse sábado, por volta das 13h, e ainda tivemos 7 horas de sol pela frente. 

Chegando em Morges seguimos em direção ao Lago. Eu sabia que por lá a gente ia se achar e achei por bem "deixar a vida levar". E então vimos um pessoal seguindo para o Parque da Independência e fomos atrás. Estão preparados?

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