Meu processo imigratório na Suíça

Além do lado prático da coisa, que é fazer mala, procurar casa, aprender a língua, etc, mudar de país tem ainda o lado burocrático. Como já chegaram aqui no blog algumas pessoas procurando por informações sobre a Suíça, acho interessante dividir um pouco de como foi o meu processo imigratório pra cá. Começo esse post com "meu" porque como é o lema desse blog, nada aqui é verdade absoluta, é apenas um relato da minha experiência. 

Voilà. 

Logo depois que Mati aceitou o emprego aqui, chegou lá em casa no Brasil seu contrato de trabalho. Ele assinou, enviou de volta pra Suíça já junto com algumas cópias de seus documentos, como passaporte, etc. Assim, seu empregador aqui deu entrada no pedido de um visto de trabalho. E depois disso se seguiram quase 3 meses de silêncio. Faltando 15 dias para viajarmos de mala e cuia, chegou a aprovação do visto. Com ela em mãos, fomos instruídos pelo RH do trabalho dele a ir ao Consulado mais próximo, que no nosso caso era em SP (fica na Av. Paulista, super fácil o acesso), onde ele iria pegar o visto no seu passaporte e eu deveria aplicar para o visto de reagrupamento familiar. E é assim que funciona: quando UMA pessoa do casal vai trabalhar, essa pessoa aplica para o visto de trabalho, e o cônjuge aplica para o visto de reagrupamento. Com esse visto você vai na garupa do trabalhador, rs... Se o visto dele for de 1 ano, o seu também é, se for de 2, o seu também, se virar um permanente, o seu também vira, etc. Nesse dia Mati deixou seu passaporte e pagou uma taxa, e seu visto ficou pronto 3 dias depois, quando ele retirou o passaporte com visto.

Devo dizer que pra aplicar pra esse visto de reagrupamento familiar a mulher lá no Consulado foi bem didática, explicou o formulário que deveria ser preenchido em 4 vias, e mais os documentos que devem ser apresentados (4 cópias do passaporte, da certidão de casamento, da tradução juramentada da certidão de casamento - que deve ser pra inglês, alemão italiano ou francês, e eu fiz pro inglês - , da aprovação do visto do cônjuge e do passaporte do cônjuge). Depois de uns estresses desnecessários que não vem ao caso porque foi má instrução do empregador de Mati, preenchi tudo, entreguei tudo e paguei uma taxa de 200 e poucos reais. Infelizmente não lembro mais o valor exato, mas já adianto que é o mesmo valor que Mati pagou. A moça carimbou meu passaporte, um carimbo que dizia que eu apliquei pro visto. Como nessas alturas faltava 5 dias para viajarmos, ela explicou que o visto demora entre 2 e 4 meses para ser expedido e que eu poderia entrar na Suíça como turista. No entanto, se o visto não saísse nos 90 dias que ao turista é permitido ficar, eu deveria retornar ao Brasil e aguardar o visto. Viajei bem nervosa com essa possibilidade.

Imigramos em Amsterdam e, embora o cara tenha ficado meio encafifado com o meu carimbo estranho, não tivemos problema porque Mati tinha o visto dele no passaporte e meu passaporte é novo, já com o nome de casada, então o cara olhou tudo e deu ok. Chegamos aqui em Berna em 24 de julho, e lá pelo dia 5 de outubro, na marca do gol pros meus 90 dias, o visto saiu. Não foi colocado nenhum visto no passaporte, só tenho o cartão de identidade constando o visto. Temos um visto L - é o que foi dado ao Mati, e por consequência a mim - que é um short term residence permit. Ele tem a duração de até um ano, (no nosso caso um ano mesmo porque o contrato de trabalho de Mati é renovado anualmente). Você pode renovar esse visto quantas vezes precisar, mas não por mais de 24 meses. Se seguirmos com 2 anos de L, podemos então pegar um B - que é um estágio a frente. 

Qual a diferença entre esses dois vistos? Para Mati, que tem um contrato de trabalho, na prática não tem nenhuma. Com ele conseguimos alugar apartamento, contratar linha de celular, e tudo mais que precisamos para botar a vida em ordem. Para mim tem muita. Porque meu L é de cônjunge, é um visto de short term, e ele não me deixa trabalhar. Uma empresa que queira me contratar precisa justificar porque eu, e não um suíço, ou ainda um europeu. Enquanto que um B, sendo um visto de residência, me permitiria viver a vida e trabalhar normalmente. 

Hoje a nossa situação é essa. Temos um L, que será renovado em julho. Em julho do ano que vem, se ainda quisermos ficar por aqui, provavelmente conseguiremos um B. A informação que tenho, por pessoas que conheci aqui, é que quem vem para a Suíça por reagrupamento familia em razão de casamento com cidadão suíço recebe imediatamente um B. Cidadãos da União Europeia não tem livre acesso aqui (porque a Suíça não faz parte da EU, né), mas também me foi informado que quem chega aqui com o contrato de trabalho fechado, recebe imediatamente um B (ao invés do L que recebemos), inclusive para o cônjuge. 

Esse foi o meu processo imigratório, e devo dizer que foi "simples" porque a empresa do Mati tomou conta de parte dele e também porque achei o pessoal do Consulado em São Paulo muito solícito. Assim, muito. Explicaram tudo no detalhe, ajudaram com a papelada que estava toda em alemão, francês e italiano, línguas que não falávamos. Quando você pensa no perrengue que é tirar visto de turismo pros EUA então, ai fica parecendo ainda mais simples. Em julho faremos a renovação e eu atualizo a situação por aqui. 

Caso alguém queira dividir alguma experiência, ou contribuir de alguma forma com esse post, fique a vontade :)

8 comentários:

  1. Essas burocrácias sempre dão um nervoso absurdo! A gente nunca sabe se realmente vai dar tudo certo, é dé tirar o sono, viu! haha
    Achei o processo que vocês passaram até que bem tranquilo e ainda bem que o teu visto saiu dentro do prazo certinho e você não teve dores de cabeça com isso. Legal você compartilhar como foi pra você, pra ajudar outras pessoas também!
    Beijos, Gabi!

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    1. Pois é.. e assim, embora voltar depois de 90 dias seria uma chateação, eu sabia que quem pagaria a passagem e afins seria o empregador de Mati. Mas quem arca com essas despesas pessoalmente deve ficar ainda mais estressado, né? Ainda bem que deu tudo certo. Beijos!

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  2. Oi, Gabi. Olha, até que não pareceu ser complicado o processo de vocês, mas pena que não pegaram de cara o visto B, né? Isso infelizmente vai acabar pesando pra você conseguir um emprego mais oficial, mas não rolam bicos, essas coisas? Como é o mercado informal de trabalho na Suíça - se é que ele existe! rs

    Vocês pensam em ficar na Suíça ~pra sempre~ ou pensam em ir pros EUA ou até mesmo voltar pro BR no futuro?

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    1. Mercado informal deve ter, porque convenhamos que tem em tudo que é lugar, mas eu ainda não me aprofundei. Comecei a procurar emprego em janeiro, e não está sendo fácil - ainda mais com essa restrição. Mas aos poucos estou começando a entender o mercado por aqui, então jajá vou saber melhor sobre como as coisas funcionam na prática.

      Sobre a gente ficar, os EUA não estão nos planos, e Brasil, por enquanto, é nosso plano de aposentadoria. Então a ideia inicial é ficar por aqui, pelo menos uns 5 anos (isso mesmo se não gostarmos haha), se gostarmos muito, indefinidamente. A mudança foi muito estressante, e não acho que valha a pena largar a toalha e passar por isso tão logo, sabe?

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  3. Parece simples mesmo... só a restrição com relação ao trabalho e o mini-stress de não saber se o visto sairia mesmo em 90 dias... eu já tive muitos tipos de visto aqui na Alemanha e acho interessante saber como os vizinhos '"funcionam", que continue dando tudo certo então!

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    1. Olha, o stress da questão dos 90 dias foi um saco, mas se eu tivesse que voltar, o empregador de Mati pagaria a passagem. Então eu tava estressada mas não muito. Agora essa restrição do trabalho, no dia que eu a "descobri", chorei de raiva. Mas paciência, cest la vie.

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  4. Imigrar parece sempre tão bonito e depois levamos com a burocracia na cara e até dói...eu cá depois de ter imigrado só de pensar em imigrar outra vez salta-me uma hérnia.

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    1. Bem isso.. As pessoas tem a impressão que tudo são flores. Eu nunca tive isso, mas não imaginava que seria tão difícil haha. Beijos!

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